Estamos no pico da Época de Gripe! E agora?
O que é a época Gripal?
A época gripal é o período do ano em que o vírus da Gripe circula com maior intensidade. Em Portugal e no Hemisfério Norte, começa, habitualmente, na última semana de setembro (2025) e termina entre maio e junho do ano seguinte (2026). Este período coincide com duas condições que favorecem a transmissão viral: temperaturas mais baixas e maior permanência da população em espaços fechados e pouco arejados. ([1]) Na presente época, a atividade gripal iniciou‑se mais cedo do que nas duas anteriores, tendo Portugal e os Açores entrado em fase epidémica entre 24 e 30 de novembro. (1-[2])
Como evolui a Gripe durante a época Gripal?
A evolução da gripe resulta é alvo de uma análise clínica e laboratorial, que monitoriza o número de pessoas doentes, os vírus em circulação e as suas características, incluindo tipos, subtipos e possíveis mutações. ([3]–[4]) Esta informação permite construir a curva epidemiológica, que descreve quatro fases de evolução da Época Gripal: um aumento gradual dos casos entre outubro e novembro, seguido de um crescimento acelerado entre novembro e dezembro, culminando no pico epidémico e entrando numa fase de declínio, marcada pela diminuição progressiva dos casos. (4)
Como se interpreta o pico da Gripe e que riscos se associam a essa fase?
O pico da gripe corresponde ao momento de maior intensidade da transmissão viral e coincide com a semana em que se verificam mais novos casos, maior procura dos serviços de saúde, mais internamentos e um número mais elevado de confirmações laboratoriais. A partir desse ponto, a atividade gripal tende a reduzir-se gradualmente. Esta fase abrange riscos acrescidos, não só por aumentar a probabilidade de transmissão, mas também por favorecer o aparecimento de casos graves, especialmente entre idosos, crianças pequenas, grávidas e pessoas com doenças crónicas.
Além disso, nesta fase é mais provável a ocorrência de complicações como pneumonia ou a descompensação de doenças pré-existentes. A mortalidade também pode aumentar, sobretudo quando o pico da gripe coincide com períodos de frio intenso ou com a circulação de outros vírus respiratórios. ([5],[6])
Atualmente, os Açores acompanham a tendência observada no território continental, encontrando-se em pico de fase epidémica e prevendo-se o início do declínio muito em breve. ([7]–[8])
Como se previnem os riscos associados ao Período Epidémico da Gripe?
A vacinação é a medida mais eficaz para prevenir doença grave, internamentos e complicações associados à gripe. Quem ainda não se vacinou deve fazê-lo, especialmente se pertencer aos grupos prioritários para vacinação: pessoas com 60 ou mais anos, crianças dos 6 meses aos 4 anos, doentes crónicos, pessoas em situação de imunossupressão, grávidas, profissionais de saúde e pessoas portadoras de patologias específicas que beneficiam de maior proteção. A vacina garante defesa contra os principais vírus em circulação, nomeadamente A(H1N1), A(H3N2) e a linhagem B/Victoria.
Para além da vacinação, é fundamental cumprir medidas individuais de proteção. Lavar as mãos regularmente, cumprir a etiqueta respiratória ao tossir ou espirrar, evitar contacto com pessoas com sintomas gripais e garantir boa ventilação dos espaços fechados. Estes são comportamentos essenciais para reduzir o risco de transmissão e proteger a saúde individual e coletiva. ([9])
Proteja-se da Gripe!
([1]) Serviço Nacional de Saúde – Instituto Nacional de Saúde Dr Ricardo Jorge (2025) Notas Metodológicas: Boletim de Vigilância Epidemiológica da Gripe e outros Vírus Respiratórios Disponível em: https://www.insa.min-saude.pt/wp-content/uploads/2025/11/Metodologia_Boletim_2025_2026.pdf, acedido a 16/01/2026
(2) World Health Organization (2025) – Influenza season underway across the WHO European Region: WHO calls for vigilance and vaccination. Disponível em: https://www.who.int/europe/news/item/25-11-2025-influenza-season-underway-across-the-who-european-region–who-calls-for-vigilance-and-vaccination, acedido a 16/01/2026.
([3]) European Centre for Disease Prevention and Control (2025) Early estimates of seasonal influenza vaccine effectiveness against influenza requiring medical attention at primary care level in Europe, week 41 – 49, 2025. Disponível em: https://www.ecdc.europa.eu/en/news-events/early-estimates-seasonal-influenza-vaccine-effectiveness-against-influenza-requiring. Acedido a 16/01/2026
([4]) Direção-Geral da Saúde. (2025). Programa Nacional de Vigilância da Gripe e Outros Vírus Respiratórios. Disponível em: http://hdl.handle.net/10400.18/9227, acedido a 16/01/2026
([5]) Centers for Disease Control and Prevention. (2024). Quick-Learn Lesson Using an Epi Curve to Determine Mode of Spread. Disponível em: https://www.cdc.gov/training/quicklearns/epimode/index.html, acedido a 16/1/2026
([6]) World Health Organization. (2022). Prevention and control of influenza: WHO recommendations. Disponível em: https://www.who.int/initiatives/global-influenza-surveillance-and-response-system, acedido a 16/01/2026
([7]) Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (2026) Boletim de Vigilância Epidemiológica da Gripe e outros Vírus Respiratórios Época 2025/2026. Disponível em: https://www.insa.min-saude.pt/wp-content/uploads/2026/01/S02_2026.pdf. Acedido a 16/01/2026
([8]) Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (2026) Boletim de Vigilância Epidemiológica da Gripe e outros Vírus Respiratórios Época 2025/2026. Disponível em: https://www.insa.min-saude.pt/wp-content/uploads/2026/01/S02_2026.pdf. Acedido a 16/01/2026
([9]) Serviço Nacional de Saúde 24. (2025). Gripe. Disponível em: https://www.sns24.gov.pt/pt/tema/doencas/doencas-respiratorias/gripe, acedido a 16/01/2026